terça-feira, 31 de julho de 2012

Deixar partir

Não adianta, por mais que se queira ou que se tente algumas coisas nunca voltarão a ser como eram antes, ou do jeito que você pensava que eram. Algumas coisas já vem destinadas ao fracasso, e por mais louvável que pareça lutar em prol do sucesso aparentemente condenado, destino é destino. Outras deixam-se perder, seja pela distância, pelos desentendimentos, pelo conflito de interesses. Não tira o mérito do que foram antes, se realmente foram.
As vezes é necessário guardar as lembranças na mala, e talvez abri-la de vez em quando e se sujeitar a certa nostalgia, e seguir em frente. Por mais que doa, por mais que pareça inaceitável; porque pra mim sempre parece. É necessário que se entenda que por mais que se lute, que se tente, unir os cacos não faz o espelho voltar a refletir e ainda pode cortar suas mãos. Já cansei de interpretar o papel ingênuo de quem tenta reconstruir o passado.
O passado diz o que fomos um dia, a habilidade de seguir em frente reflete nosso amadurecimento. Desapego é a palavra do dia, em todos os sentidos. Desapegar-se de tudo que traz dor, tudo que atrasa, desapegar-se da tristeza e do desânimo. Colher os louros e seguir em frente.
Lembrar com saudade do que se foi, ansiar pelo que virá. Ah, doce angústia eterna da existência

                Carolina Ribas, apenas desabafando

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Immersione


A imensidão devastadora devora meus sentidos, o silêncio é inquietante e corta noite a fora , sinto tudo, cada partícula da brisa gélida que me cerca, inunda meu corpo com pequenas ondas de torpor. Estou no meio das contradições, um mínimo misto de angústia e felicidade invade meus pensamentos.
Surrupiadora de estrelas, colecionadora de sonhos, poeta desregrada das noites frias e vazias de inverno, perdida na inconstância de seus próprios devaneios, perdida em algum lugar dentro de si, buscando a plenitude de um ser que não sei se vivo ou habito,seguindo os sonhos de um “eu” que nem sei bem quem é.
 Vejo-me livida, só, despida de minhas amarras, livre de preconceitos, livre de nuances. Preto no branco, desinibida e certa, peito a mostra para a vida, cara a tapa.Exposta no papel, livre interpretação. Moldo nas palavras a plenitude do meu ser, tentativas vis de eternizar-me, de transcender ou burlar tanto a vida quanto a morte.
Por muito tempo me escondi, mas não mais. Detrás de falsos moralismos, falsas pretensões, minha essência na obscuridade. Mas como ansiava por luz própria, não o pude negar.
Que grite! Que chore! Me exponho.. Na busca de mim mesma, me liberto como posso, ou como quero. Na medida do possível, toda brecha e oportuna, na busca de ser eu.  


                          Carolina Ribas, discorrendo sobre ela mesma

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Intrínseco


Sou vento, sou fogo, sou caminho
Sou o centro do redemoinho
Sou explosão, sou nostalgia
Sou a música e a sinfonia
Mesquinho, falho, perigo
Viajante a procura de abrigo
Vil, intolerante
Livro em branco, intrigante
À procura, à esmo. À batalha!
Soco, chute, navalha
À imbecilidade…
A busca de paz, piedade.
Sou desejo, sou feto, sou vida
Cálice a perfeita medida
Seda do mais puro fio
Entretanto, vazio
Sou pressa, sou incerteza
Descuido da natureza?
Sou esperança e sou o dano
Incompreensível, ser humano.

                          Carolina Ribas, se metendo a poeta

terça-feira, 10 de julho de 2012

Speranza

Delicadeza do ser, da alma, da palavra. A suavidade que muitas vezes passa despercebida no cotidiano conturbado, que deveria ser abertamente apreciada, pela simplicidade e beleza que carrega em si. O sopro de vida, que mesmo inerente nos seres humanos, parece deixado de lado, assim como a esperança que um dia permeou a mente de tantos.
A delicadeza guarda em si o benefício da dúvida, do desconhecido, por não ter forma nem localidade certa... Por ser frequentemente encontrada ainda que não procurada, ainda que nos momentos aparentemente menos propícios, é quase um presente.
Acredito, ainda que tolamente, que a felicidade reside em pequenos gestos, e no cotidiano. Penso, que fé e esperança são mais do que crença cega, que valem a pena, apesar de tantos pesares. Chame de insanidade, de infantilidade, de utopia que seja, mas acredito no ser humano com todo seu potencial e falhas, acredito na   "humanidade" do mundo, se é que isso faz algum sentido remoto.


                            Carolina Ribas, discorrendo sobre sua fé na vida

Sublimar


Minhas palavras sempre saem meio melodiosas, com um quê de poesia que muitas vezes não me permite ser levada tão a sério, retém um quê de boemia e são pouco rebuscadas, nem sempre seguem uma ordem de raciocínio lógico, e nem poderiam ,uma vez que advém de mim. Tento da melhor forma possível transmitir essa mensagem, sem saber quem atingir muito menos com que intuito, escrevo pelo desejo simples e puro de eternizar as palavras. Porque a vida tem disso, eterniza aquilo que se mostra mais simples, por alguma conveniência que não me cabe julgar.
Em meio a julgamentos falhos e valores questionáveis, são poucas as coisas que se mostram incorrompíveis, e essas coisas são as que intrigam, as que em meu ver valem a pena. Cada sonho, cada verdade, cada mínimo sinal de esperança, todo e qualquer sorriso, ou riso, ou criança. Encanta sim, nesse mundo inóspito, alguns valores se manterem inerentes, algumas felicidades se provarem verdadeiras, sentimentos se mostrarem valiosos.
As vezes a vida nos contempla com oportunidades, com chances, chame de misticismo, de crença se quiser, mas a verdade é que cada dia é uma surpresa, cada dia um desafio. Todo dia nos é possibilitado um novo recomeço, apesar de nunca se saber qual recomeço será o último. Cada escolha é uma gama de possibilidades, cada pessoa é um mar de aprendizado. Assim como cada livro conta sua história ao decorrer das páginas, não se pode esperar viver sem chegar ler buscando chegar ao final.
Resolvi escrever com a simples motivação de sentir o dia em sua plenitude, de sentir a vida, pelo fio de esperança que cisma em queimar dentro de mim, pelos meus sonhos que teimam em não ser guardados, pela beleza das palavras... Escrevo a ponto de talvez não dizer coisa nenhuma, ou de dizer muita coisa, não sei, a vontade de exprimi-las foi maior do que qualquer significado ou significância que pudessem abranger, a verdade é essa.
Est la vie, la vivre, dans toute sa plénitude!

                             Carolina Ribas, mais uma vez a discorrer sobre coisa alguma

La vie

Em verdade vos digo,nada é eterno senão a eternidade do teu ser. Findam-se as paixões, passam-se os anos,mudam as estações e o que prevalecerá por fim é aquilo que realizastes, aquilo que realizou-te. Nada se leva da vida, que não o que dela viveste, então não devestes temer a vida, nem desperdiçar o que ela oferta. Tudo que se desprende da essência do ser deverá conter um quê de intensidade, cada segundo será vivido de forma a ser imortalizado na memória. Todos as boas palavras serão ditas, todas as vontades e paixões serão vividas ao máximo, se assim for buscado e conquistado. Até que finda a existência sobre a Terra, como em um auto que acaba por fechar as cortinas após o último ato, e assim se constatará com felicidade, a satisfação de um ótimo espetáculo.

                        Carolina Ribas, discorrendo sobre o viver

Um relicário imenso..


Cálida, gélida, embevecida de um prazer sobre humano que outrora fora-me negado. Desperta para aquilo que não havia me atentado antes, e que indispensável já era e assim continuou. Perdida em meio a andanças, lambanças, estranhezas, descobrindo o que de fato é relevante. Confiante? Estonteante. Rima irrelevante, fraqueza poética, melodiosa demais.
Intriga-me a leveza, a suavidade tem seu quê de charme, escondia em meio à escombros, resquícios de uma sociedade em alarde. O contentamento que o simples causa, a felicidade advinda do sutil, tudo reprimido, escondido, engolido por esse mundo vil. Pare com rimas ! Escrita juvenil..
A música, a arte, o todo ou cada parte, tudo aquilo que contribui com o deslumbramento. Através das adversidades, mesmo em pranto, mesmo alarde, a esperança se mantém. Tem fé, tem confiança, acredita tola criança! É aqui que reside teu bálsamo. E que quanto mais queira seja quanto mais busque. Lute! Erga-se! Não esmoreça.. O mundo quer teus sonhos espalhados pelo chão, cacos e mais cacos de uma grande coleção. Mas não deixe.Ora bolas, eu me peço? Não, eu me clamo.

                                  Carolina Ribas, discorrendo sobre nada

Bienvenue

Mais uma vez, deparo-me perdida e absorta dentro de mim mesma, com as dúvidas que até então não foram esclarecidas e muitas outras mais que se apresentaram durante meu caminho. Quando reflito sobre a veracidade do meu ser, do meu eu, não concluo nada, como um ser aleatório perdido dentro de si, tentando encontrar um sentido em tudo que, mesmo que remotamente, possa exprimi-lo.
Eis que me presenteio com a criação desse blog, exposição dos pensamentos e sentimentos, sem nenhum motivo aparente, senão o de me expressar. Como forma de arte, ou de desabafo, simplesmente fazendo o que gosto... Aos que embarcarem, bem vindos ao poço sem fundo que sou eu.