Aquela troca de olhares calada a enlouquecia. Ela queria gritar, mas se limitava a corresponder. Qualquer toque inocente era suficiente para acender suas fantasias. Sabia que era tolice, mas era o efeito colateral dele. Da boca que anunciava o sorriso sarcástico que a fazia estremecer, podia imaginar todo tipo de palavra, ditas das mais diversas formas.
Divertia-se imaginando as formas. As formas que aquela boca, que teimava em ficar longe da sua, diriam as palavras doces e quentes que queria ouvir há tempos. O que mais aquela boca seria capaz de fazer? O que ele seria capaz de fazer? Imaginava... Pensava em algo com vigorosidade e carinho, um puxão de cabelo e o hálito quente na nuca, causando o arrepio que já conhecia. Mas sabia que seria novo! Ela já o havia sentido antes, não seria o primeiro ou o último, mas ela sabia que seria diferente.
Diferente porque? É verdade que ele correspondia a suas preferências físicas mais peculiares; o maxilar quadrado, o sorriso cativante, o os olhos penetrantes, até sua altura e tom de pele correspondiam fielmente as suas predileções. Mas não era somente por isso, e ela sabia. Ele era mestre no jogo perigoso, que era o seu predileto. O jogo nem sequer tinha nome, mas a verdade é que ele conhecia todas as regras. Impossível de interpretar, de antecipar os movimentos ou adivinhar pensamentos; ele era interessante. Interessante a ponto de arrebatar a curiosidade dela, que perdia o interesse tão facilmente. Era ávida por novidades, e ele parecia se tratar de uma eterna novidade.
Ela queria experimentá-lo. Queria entendê-lo, pouco a pouco... Fazer parte daquele jogo, mostrar que podia competir a altura. Estremecê-lo e interessá-lo. Levá-lo ao delírio, fazê-lo imaginar também. Enquanto fosse interessante, enquanto o jogo estivesse divertido. Caetanear, Djavanear, trocar dia por noite, infinito por minuto. Mas ela continuava a se perder naqueles olhos.
Carolina Ribas
Poderia escrever um livro com tamanho talento, and I mean it.
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