domingo, 16 de setembro de 2012

Sobre um alguém

Há tempos não me sentia daquela forma, era uma pessoa de quem a proximidade me fazia tremendamente bem. Talvez pela suavidade de sua fala, ou então pelo abrigo de seu abraço, o que eu sabia é que a insegurança que me rondava há tempos desaparecia diante de sua presença. Talvez tenha me enxergado nela, talvez o riso frouxo tenha me cativado, não sei... Mas com certeza havia pureza, havia sim eu garanto, e era o que mais me atraía.
Eu pedia em silêncio - Não me deixe- e talvez ela entendesse, pelo menos eu acho que estava estampado no meu rosto, porque era assim, sua autenticidade não me permitia esconder-lhe nada e eu achava incômodo mas bonito, foram poucas as vezes que me senti tão exposta. Tão sincera.
Declamei meu pranto, ela sorriu, divertiu-se com minha juventude tão ingênua e esperançosa ,ali só pra ela. Cantei minhas dores e ela ouviu, com ternura no olhar, sem pronunciar uma palavra sequer, e depois me fez ver tudo de tão incrível que ainda estava por vir. Confessei-me, era em sua frente um livro aberto, e ela soube me ler, cada vírgula, nada ficou despercebido. Era meu deleite e era nosso segredo. Outrora teria me escondido, atrás de uma capa qualquer, me divertia em escolher as capas, mas não com ela.
E a cada passo que dou lembro dela, a cada lágrima que brota seu sorriso me visita ampliando possibilidades, a cada nova frase, a cada novo verso, um pedaço dela se revela.

                             Carolina Ribas

Um comentário: