Era engraçado pensar que há pouco tempo andava só, e não sabia que assim estava. Engraçado pensar que houve um tempo em que seus pensamentos não eram dominados por um único tópico; que todos os seus desejos e ansiedades, todos os seus sentimentos mais profundos não tinham dono. Era engraçado lembrar que há algum tempo atrás ela nem mesmo acreditava que tudo aquilo existisse, que era tudo mais uma fantasia infantil que há muito havia se livrado.
Mas então ele apareceu, não foi montado em um cavalo branco, afinal ela já sabia que não o seria. Não foi em um momento tranquilo e não deu tudo certo a principio; na verdade algumas coisas davam errado até hoje, mas isso fazia parte. Surgiu no momento oportuno e arrebatou seu mundo, fazendo dele o que bem entendia, e ela agradecia aos céus por suas boas intenções. Sabia que tinha sorte, e que sorte.
Se divertia na cumplicidade que haviam adquirido; por várias vezes se surpreenderam pensando juntos, ela gostava de chamar aquilo de sintonia. Não sabia se essa palavra explicava tudo, mas era um bom começo. A forma com que se olhavam, como trocavam sensações, como faziam o impossivel para concretizar a vontade perene de estarem juntos. Talvez aquilo explicasse o porque de mesmo por vezes diferentes, se completarem de uma forma tão intensa.
Ela o amava. Completamente e imensamente, e sabia que ele a amava também, E isso por si só já lhe bastava, por isso sempre se sentia agraciada em ter muito mais. Eles faziam planos e visualizavam um futuro juntos. E ainda amam. Ainda fazem. Ainda vêem. Ainda se sentem completos, ainda se sentem necessários, ainda e cada vez mais se apaixonam todo dia.Por vezes se acreditava romântica, e em algum lugar do passado isso a incomodaria; mas afinal, os tempos mudam.
No fim do dia sempre retornava as mesmas perguntas e as respostas acabavam por ser sempre as mesmas, "não sei, mas que bom que está aqui e ainda bem que não vai embora".
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