A solidão é poética. É incrivelmente irrestrita: doce, ácida, amarga, triste, sonora. Nela por vezes uma pessoa se encontra; no mais profundo silêncio angustiante, pode-se dizer mais do que tudo que outrora não foi dito; pode-se encontrar conforto mesmo se sentindo desamparado. A solidão é paradoxal, é persuasora.
Musa de sonetos, algoz de milhares, tão abstrata quanto sentida. Sente-se só ainda que rodeado por pessoas; a solidão é inoportuna e incompreensível.
É vasta e viver sua plenitude pode ser devastador, é lugar de veraneio e beco sem saída. A solidão é aquela que se faz presente, que leva aos extremos, da qual todos tentam fugir, muitas vezes sem necessidade. A solidão é incerta,costuma ser associada a dor. Mas dela pode-se tirar proveito, afinal como se conhecer sem estar só? Livre de qualquer influência e refletindo nada que não se próprio? Essa reclusa, esse conhecimento próprio,um momento para si, julgo importante. Já ouvi chamarem isso de solitude, palavra graciosa, apesar de soar algo como estranhamento. Adequado.
Carolina Ribas, discorrendo sobre o abstrato
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