Era um dia cinza e frio, avulso naquele
verão tão marcado pelo calor sufocante e céu límpido... A brisa morna cedeu
lugar há um doce sopro gelado, que percorreu toda sua espinha, provocando um
arrepio que caracterizou um enorme alívio. Não era só o calor que a vinha
sufocando, mas aquela manhã gélida e triste trouxe consigo uma calmaria esquecida
em algum lugar do passado. A atmosfera melancólica chegava a exalar poesia.
O tempo parecia passar mais devagar
naquela manhã de 25 de janeiro, e uma onda de conformidade tomou seu corpo.
Talvez não fosse tão impossível afinal, de repente por um descuido do acaso os
sonhos se tornariam tão realizáveis que as possibilidades de fracasso não
passariam de números, números e mais números. E afinal de contas, não é que ela
sentia um desprezo secreto por números? E decidiu que assim que deveria ser,
riria das impossibilidades, ignoraria os apelos negativos e se agarraria a toda
e qualquer chance de sucesso. O fracasso era um número, era matemática e ela
nunca ligou tanto assim para matemática.
Preferia crer que a impossibilidade era
uma simples questão de sufixo, fácil de ser consertada. Aquela onda de animação
inoportuna a fez sonhar, e sonhar era seu passatempo preferido, ainda mais se
acordada. E ela decidiu não se levantar, queria aproveitar aquele sopro de
inverno no meio do verão, tão improvável quanto aqueles devaneios malucos
pensados e repensados noites a fora.
Carolina Ribas
Carolina Ribas