sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Sweet Dreams

Que seus sonhos sejam doces. Doces. Do-ces. Não, não se conformava. Ora, mas porque doces? O que de doce tem que ter um sonho? Ninguém lhe deseja "uma doce vida", mas sim uma doce efemeridade. Uma doce descarga de impulsos elétricos aleatórios que se combinam formando imagens que podem ou não ter significado. Com o perdão de Freud, que não interferirá nos meus prospectos. Ou ainda com o aval de Freud, porque não? Uma doce realização de seus desejos recalcados infantis, que a vinda de seus maiores segredos à consciência lhe seja aprazível. Não, não fazia sentido. Era como dizer que a sutileza da vida se encontra em um mundo paralelo a real existência, mas porque? Porque se deseja um "bom dia" e um "doce sonho"? Em que lhe dizia respeito algo doce era mais interessante e agradável do que algo somente "bom", na verdade bom sempre soou com uma forma educada de se dizer "regular".
Ou será que o sentido daquilo tudo era desejar que em sonhos se encontrasse o que não se acha acordado? Será que estão tão desacreditados da vida, que não acreditam mais que essa possa ser doce? Um bando de tolos, concluiu, a vida é doce, mesmo em seus pedacinhos amargos. Não acreditava que isso fizesse sentido, e na verdade não se importava. Passou a desejar a todos uma "boa noite sono" e uma "doce existência".