Percorria todo o seu corpo; da ponta dos dedos dos pés, caminhando por toda a espinha, até chegar a raiz do seu último fio de cabelo. Era sublime, algo que nunca havia sentido antes, em todos os seus anos de experiência que não eram assim tão poucos. Afinal já se podia notar a maturidade em seu olhar, a idade teimava em revelar-se de forma sutil e subjetiva, mas ela percebia e brigava tentando esconder aqueles anos de vivência pura e completa. Já não tinha mais a ingenuidade da infância ou o espirito intrépido de adolescente, guardava com saudade as memórias dessas épocas. Mas ainda assim as novas experiências ainda apareciam. Havia conquistado a serenidade e experiência que só os anos corridos podem fornecer, e regozijava-se com isso; afinal encontrava-se em lugar extremamente confortável de sua existência.
Não era uma velha senhora, pois não, tinha o alto de seus quase quarenta anos, mas julgava-se tão vivida a ponto de quase esquecer que lhe eram possíveis novas e intensas emoções, sensações e até sentimentos. Então se surpreendia um pouco ao se deparar com elas; uma surpresa quase infantil que a divertia e entretinha por algum tempo. Afinal coisas novas não duram tempo o suficiente para entreter-nos por muito tempo, não é mesmo? Em um curto período de tempo, o que era novo agora é conhecido; o interessante se torna familiar e perde um pouco de seu brilho. Mas ela sabia que dessa vez não seria assim. Sabia que cada dia seria um novo dia, que cada experiência seria nova, e que cada segundo que se passasse seria um desafio. Mas valeria a pena. Tudo por ele.
Ele que era a pessoa que mais amava nesse mundo, não que ela não amasse muita gente, mas ele era especial. Havia um brilho em seus olhos que diziam que não se poderia amar nada, nem ninguém, quanto se ama ele. E era impossível não se perder no brilho daqueles olhos. Havia algo nele de sobrenatural, e de fato não há como se explicar. Tentara. Brevemente, longamente, com músicas ou palavras, com filmes ou imagens. Buscava vorazmente em sua memória qualquer coisa que chegasse próxima de explicar aquele amor. Nada era o suficiente.
Então resolveu desapegar-se de definições. Aceitar os desafios. Os sentimentos. Resolveu amar largamente e sem medidas. Aceitou aquele pequeno ser, que pela primeira vez segurava nos braços, como parte de si. Como a aventura mais desafiadora de sua vida, mas que ela sabia que seria a melhor, porque não tinha como ser diferente, com ele. Aquele que em nove meses e um dia, conquistou seu coração.